segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dois anos de ti. (REVER)

Dois anos de ti. (REVER)
Querido Duarte,

Meu pequeno rapazinho! Há dois anos que cá estás. Uau! Dois anos em que te acompanhamos, em que aprendemos a ouvir-nos e a ouvir-te, em que continuamente nos deliciamos.
Estás todos os dias menos bebé, mais rapaz. Tens vontades, ideias e  gostos. O tempo voa, como o cliché dita, mas não há como fugir dele. És sorridente, traquina, feliz. Deliras com animais, com motores e rodas, com botões e coisas eletrónicas, com "a rua" e com bolas! Começas a aprender a lidar com os impulsos e a frustração e o desafio destas lições é para todos nós. Eras um comilão adorável e agora decidiste que não queres sopa e que não gostas de algumas coisas. Estás muito mais desconfiado com a comida mas a fruta continua a ser uma verdadeira paixão.  Deixaste de gostar de piscinas onde não sintas o chão. Bates palmas sempre que estás feliz e danças de uma maneira tonta que derrete toda a gente. Depois de te ambientares és extraordinariamente simpático. Adoras dormir com companhia e acabas sempre a saltar cedinho para a nossa cama.
Não falas. Não falas mas expressas-te lindamente. Mesmo assim, o facto de isto estar "atrasado" deixa-me doida, confesso. Às vezes preciso de parar, olhar para ti, e ouvir o meu instinto dizer-me que estás bem, que estás a aprender coisas novas todos os dias e que daqui a nada desbloqueias a fala. Estou mortinha para poder "reclamar" de tanto que dizes. O pai continua a dizer que estás ótimo.

Este Outubro, fomos passear os três. Andaste de avião e portas-te lindamente. Fizemos uma espécie de road trip e adoraste. És um grande companheiro e foi muito bom termos finalmente as nossas férias merecidas. Prometo que tentaremos repetir todos os anos. Prometo mostrar-te coisas novas e bonitas. Prometo continuar a ser uma mãe ranhosa que luta sempre para te passar um tablet ou um telemóvel para a mão. Aposto que um dia me vais compreender.

Tens tudo de meigo e traquina. Tens um ar de rapazinho muito feliz. És tão querido, tão bonito e tão nosso que paro (paramos) muitas vezes a contemplar-te. Morremos de saudades quando estamos longe e acabamos por falar em ti nessas ausências. Somos uns pais chatos, babados e orgulhosos. Que o tempo voe, seja bem vivido e a nostalgia por todos os momentos bons continue.

Amo-te.
Mãe

Bolo número 4 de aniversário do Duarte.  Sim, é um bolo feio do qual eu muito me orgulho! :)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

7 coisas sobre viajar com bebés de avião

7 coisas sobre viajar com bebés de avião


No início do mês fomos passar uns dias à Bélgica. Uma espécie de mini-férias e o aproveitar dos últimos dias do Duarte com menos de 2 anos (e consequentemente com um preço de viagem mais simpático). Correu tudo muito bem. Sei que o Duarte nunca se irá lembrar destes dias, mas nós vamos e acredito que há sempre um bichinho que fica destas experiências boas. Descobri uma série de coisas sobre viajar com bebé que... podem dar jeito. :) 
  •  Custo: o bebé viaja no colo (até aos 24 meses) e consequentemente não paga bilhete. As companhias podem comprar uma taxa (a Ryanair cobra 20€ por viagem) mas o preço é sempre baixo.
  • Documentação: o normal... Cartão de Cidadão (viagem na UE) e Cartão de Embarque. Isto porque viajou com os pais. Não sei como funcionaria em caso de ir com outras pessoas ou apenas com um de nós. 
  • Bagagem: É possível transportar até dois módulos grandes (carrinho, cadeira do carro, cadeira da papa...) sem qualquer custo extra. Na Ryanair podemos ainda levar uma bagagem de 5kgs para o bebé, mas não percebi se é regra ou política da companhia. Os itens grandes viajam como bagagem de porão (para o qual deve ser feito check-in no balcão) mas o carro só é entregue na porta do avião. À saída do avião, o carro está "à espera". Esta vantagem não é exclusiva de crianças até aos dois anos, mas não sei qual a idade limite.
O que levamos connosco numa viagem de 5 dias no inverno: duas mochilas (é ótimo ter as mãos livres!), casacos, o carrinho bengala, e uma mala pequena com as coisas dele para a viagem (a tal até 5Kgs). Tinha a comida, fraldas, água e toda uma panóplia de brinquedos e livros. 
  • Mobilidade: Se o Duarte fosse mais pequenino não exitava em levar a mochila ergonómica. Como com 90cm e 14Kgs de gente o transporte agarradinho a mim já não é assim tão simples, optamos por levar o carrinho. Decidimos comprar um carrinho bengala para esta viagem, como iria no porão e seria potencialmente mal tratado não quis arriscar em enviar o carrinho do trio. Foi uma boa opção e vai passar a ser o carro "trator". :) 
  • Alimentação e Líquidos: É possível entrar com líquidos para o bebé (papas, boiões, leite, água, iogurtes...) sem restrições de capacidade da embalagem. Não li sobre a quantidade total máxima mas acredito que reine o bom senso... Não é suposto levar comida para TODOS os dias de estadia fora!! Pelo que o segurança do Aeroporto do Porto me explicou, este é um benefício dado para viagens com crianças até aos 8 anos. Não encontrei esta informação escrita.
  • Embarque: Aqui foi a parte "complicada". Na viagem do Porto para Bruxelas, o Duarte adormeceu no carrinho enquanto esperávamos que as portas abrissem. Mesmo assim, a hospedeira de bordo, incrivelmente querida, avisou-nos que teríamos prioridade no embarque se o pretendêssemos ou, caso não quiséssemos esperar ao frio com ele, nos avisava para irmos só no final. No regresso... com o Duarte aborrecido, depois de muito tempo na fila para a porta de embarque abrir, decidi perguntar se tínhamos prioridade no embarque, uma vez que simplificaria muito poder senta-lo e ir brincando com ele enquanto aguardávamos já no lugar. A resposta que obtive da companhia foi "pagou pela prioridade? não pagou, não tem". Assim, fico sem perceber se a prioridade que tivemos no Porto foi por questões legais ou por puro bom senso. Não é política da Ryanair. A Easyjet, por exemplo, anuncia que dá prioridade a famílias com bebés (depois da prioridade das pessoas que pagaram por ela, o que me parece justo)
  • Desconforto na viagem: Estávamos com algum receio. Pressão nas orelhas, muito tempo sentado, trocar fraldas, adormecer o rapaz, convencê-lo a estar com cinto... Humpf! Foi muito mais simples do que podíamos prever. Na viagem de ida, adormeceu ainda antes de embarcarmos, e só acordou a meio da viagem. Foi fácil entretê-lo com o lanche, jogos e livros que levamos. Quando começou a ficar aborrecido (e a tentar brincar com o cabelo da senhora da frente...) fomos dar uma voltinha no corredor. Troquei a fralda na casa de banho do avião e foi um bocadinho acrobático. O Duarte já é gigante para aquele espaço e estava deliciado a tirar toalhitas das mãos. Assim... enquanto o convencia a estar parado, apoiava o cotovelo na saída das toalhitas para impedir a brincadeira e o segurava para tocar o mínimo no wc (esqueci-me de levar base para trocar...), ainda trocava a fralda. Yeah, mãe-acrobata! Depois do passeio, voltamos para o lugar, o rapaz estava fascinado com a aterragem. No regresso, foi ainda mais simples. Vimos o avião levantar e depois... adormecemos os 3. Nesta fase valeu-me a mama para tornar tudo ainda mais simples. Dormiu durante toda a viagem. A mama era também o meu plano para potenciais problemas nos ouvidos durante o voo e por isso levei roupa que simplificava a amamentação (o lugar da pessoa com o bebé é, na Ryanair, forçosamente à janela, o que simplifica também este momento).
De uma forma geral foi mais simples e muito melhor do que a minha perspetiva mais optimista. Venham as próximas :)


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Cheguei.

Cheguei das férias. Um Outubro cheio, um coração já repleto de saudades dos momentos bons, e uma cabeça finalmente pronta para trabalhar em cheio. Chego, quase em Novembro, com um sem fim de ideias a nascer, com uma vontade enorme de arregaçar as mangas, com energia de recomeço.
Outubro foi o mês do aniversário do Duarte, o mês da primeira viagem de avião dele, o tempo para ouvir o silêncio e a calma no Alentejo. Outubro foi o mês da entrega do projeto de estagio do Tó, o mês do tempo para nós, o mês de que tanto precisávamos.
Há vários coisa sobre as quais me apetece escrever. Viajar com crianças, uma carta para o Duarte de dois anos. A minha vontade de voltar a estudar. e podia continuar. Venham o tempo, que as ideias e força já cá estão.  

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Preciso de férias.

Há mais de um ano que não tenho uma semana de férias. Achei que não precisava, que não fazia mal, que podia perfeitamente aguentar-me com uns dias aqui e acolá e que podia esperar calmamente pela entregue da tese do Tó para depois calmamente tirar férias.

Sim, enganei-me.

Há quase dois anos que não durmo uma noite seguida. A altura é péssima para férias no trabalho agora que, todos frescos das férias, estão cheeeeiiionhos de ideias e coisas para fazer. E... se calhar isto é que significa chegar à casa dos 30. Na verdade estou a dar o tilt.

A minha cabeça está pelas ruas da amargura. Eu, que me lembro sempre de tudo, esqueço-me de coisas que fiz de manhã. O meu querido raciocínio rápido, parece uma tartaruga doente. Por vezes preciso que voltem a repetir coisas porque nem sinto consigo processar o que me dizem. E o multitasking já está em coma há meses. Faço muito mais asneiras por distração do que as que me estão inscritas no ADN. Ou então faço todas as que lá estão porque não as consigo contrariar. E têm sido bastantes. Estou mais irritada, mais ofendida. Irrito-me porque quando cheguei a um espaço público onde já estavam 5 pessoas e disse "Bom dia!", ninguém respondeu. Irrito-me porque há gente alucinada que imagina os transportes públicos portugueses como aquilo que viu num filme indiano e decidir expor ideias estúpidas. Irrito-me porque as autárquicas parecem um circo e nem sei em quem votar no Domingo. Irrita-me ouvir pessoas a dizer "eu não vou votar, também ninguém vota em mim" (a sério?). Irrito-me porque demoro 3h a fazer o que normalmente faria em 1h e os dias não podem ser desaproveitados assim. Irrito-me porque não tenho vontade de ir ao ginásio. Irrito-me porque o meu corpo me pede para ir ao ginásio e eu não ouço. Irrito-me porque só quero comer porcarias. Irrito-me por estar irritada e porque eu não sou assim.
Esta post não serve absoultamente para nada a não ser para me lembrar a mim mesma que... preciso de parar e que nunca mais poderei ter esta brilhante ideia de achar que não preciso de férias. Preciso. De-ses-pe-ra-da-men-te. Preciso de uma semana sem pensar em nada. Preciso mesmo. E espero que ela esteja a chegar.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ainda da sustentabilidade

Penso muitas vezes no legado que estamos a deixar aos nossos filhos. Não sei se por causa do Duarte ter nascido ou uma consequência natural do que acontece. Assusta-me a enormidade de espécies extintas ou criticamente em perigo, o número crescente de problemas de saúde associados ao nosso estilo de vida, o clima estranho que estamos a ajudar a provocar.

A verdade é que, passando da teoria à prática, nem sempre consigo integrar rotinas sustentáveis no caos do dia-a-dia. Aparentemente, dado o meu estilo de vida, a partir do dia 26 de Abril já estou a usar créditos de planeta. Se toda a gente vivesse como eu/nós... seriam necessários 3 planetas!
Estive a pensar no que estamos a fazer bem e onde há espaço para melhorar.
Lá por casa as compras estão a tornar-se mais conscientes. Dentro do razoável, temos tentado comprar com qualidade, o que é substituído, se estiver em condições é sempre reaproveitado (guardado, dado, vendido, emprestado, arranjado...). A casa tem um bom isolamento e tenho reparado que quase metade da nossa energia vem de fontes renováveis (está descrito na fatura, zero mérito nosso). Tenho tentado estar atenta à origem dos produtos e temos comprado menos. Tenho feito iogurtes em casa, evitado comprar pacotes de bolachas que vêm com mini pacotinhos e até feito pão em casa. Voltamos aos transportes públicos do dia-a-dia e sempre que possível andamos a pé.
Há obviamente coisas que não faz sentido mudar. Não posso deixar de usar o carro alguns km por dia, não quero deixar de comprar livros ou deixar de tornar a minha casa mais bonita (mesmo que isso implique mais coisas). Não vou deixar de comprar t-shirts baratas de origem duvidosa para o meu filho que suja roupa a velocidades super-sónicas. Há muito mais para fazer... Assim de repente, lembro-me de 4!
  • Temos sido incrivelmente preguiçosos com a reciclagem. Fazemos alguma reciclagem, mas os recipientes para reciclar estão pouco "à mão". Não faz sentido, é preciso arranjar uma forma de simplificar o processo.
  • Tenho a sorte de ter uma mãe (e não só) que tem fruta, legumes, carne, ovos de produção própria. Muitas vezes, por pura desorganização compro produtos frescos embalados em vez de usar os da casa. 
  • Lá em casa além de um frigorífico combinado temos uma arca-congeladora. O problema é que a arca está nos arrumos e fruto de muitos meses de horários alucinados, é frequente não nos lembrarmos de usar as coisas que lá temos (ao ponto de estragar comida). Temos que arranjar forma de ter o conteúdo congelado mais "à mão". 
  • Com as eleições à porta seria interessante espreitar se a sustentabilidade nas cidades faz parte de algum dos planos eleitorais. Se bem que nem tenha muito bem a noção do que há a melhorar a um custo "praticável" para as minhas bandas gostava de perceber...
É só uma agulha pequenina. Mas é preciso começar. :) 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Da conversa do créditos ou... é só fazer as contas.

Estou a ser atendida nos correios. Enquanto espero por ser atendida, pego num panfleto sobre Certificados do Tesouro. A funcionária (eficiente e delicadamente) pergunta se quero mais informação sobre os certificados e se quero fazer uma simulação com as atuais taxas de juro. Enquanto mexo na carteira à procura do cartão do cidadão, deixo em cima do balcão o meu cartão de débito da conta CTT. A funcionário do lado decide intervir:

Funcionária Que Não Tinha Nada A Ver Com O Assunto: Ah! É cliente do nosso banco!
Eu: Sim, sou.
FQNTNAVCOA: Ah! Então tenho aqui a oportunidade perfeita para si! Devia aproveitar esta nossa promoção para comprar um telemóvel. 
<Enquanto isto, passa-me um panfleto com um telemóvel em promoção>
Eu: Obrigada, já tenho telemóvel
FQNTNAVCOA: Ah! Mas pode ser para um familiar!
<A sério que a senhora disse isto? Olho para o raio do papel. O telemóvel tinha um preço teórico de 350€ e um novo preço assinalado de 300€. O panfleto destacava mensalidades de 30€. >
Eu: Obrigada, não compro telemóveis a crédito
FQNTNAVCOA: Ah! Mas não paga juros nenhuns!
Eu: A sério que não? E comissões de entrada?
FQNTNAVCOA: São só 12€ extra no primeiro mês!
<Neste momento passou-me tanta coisa pela cabeça... Vários implicavam um sermão à senhora que não tem culpa, eu sei. Nenhum deles... iria mudar nada daquela palhaçada>
Eu: Não compro telemóveis a crédito. Não estou interessada.
FQNTNAVCOA: Pronto, desculpe interromper, mas como vi que era nossa cliente podia querer aproveitar a oportunidade...
Saí dali a pensar no assunto. Surpreende-me que esta conversa ainda funcione com alguém. Não consigo conceber sequer a ideia de comprar a crédito alguma coisa que não seja uma casa ou um carro. Quanto mais um telemóvel. Pior. Uma coisa pela qual provavelmente a pessoa não precisava e custava "só" 300€. E pela qual não pesquisou, não comparou preços, não viu o mercado. A sério que isto funciona? 
 
Que ninguém se esqueça: os bancos não dão nada a ninguém. Os 12€ de abertura de conta significam juros de 4% pagos a 10meses. Desafio quem no momento me conseguir uma conta poupança com esta taxa de retorno.

Mais... se fizermos um bocadinho melhor as contas...

Nenhum banco nos dá os juros no primeiro mês (as comissões de abertura acontecem sempre à entrada). Teremos que ter o nosso dinheiro parado durante algum tempo para vermos esse retorno. Supondo que o juro é pago anualmente, e que ao final de um ano queríamos ir buscar 12€ ao depositar 300€. O imposto sobre os juros, logo à partida é de 28%. Ou seja... para ganharmos 12€ ao final de um ano, teríamos que ter juro que pagassem ao final de um ano 16.67€, o que significa uma taxa de juro de cerca de 5.56%. 

Atualmente os Certificados do Tesouro dos CTT pagam 1.25% ao final do primeiro ano.  Contas feitas... teríamos que depositar 1333.6€ para, ao final do ano, o banco nos pagasse 12€ líquidos por lhe termos emprestado esse dinheiro.

Há mesmo quem ache que existem compras "sem juros"? 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Escrever para não esquecer


Quando nos deitávamos, de janelas abertas para refrescar, ouvíamos os grilos a cantar. De manhã acordava sempre a ouvir os galos a dar os bons dias. O Duarte adormeceu sempre bem, dormiu sempre bem, acordou sempre com um sorriso. "Apesar" de todos os barulhos.

Nos primeiros dias fizemos sestas a três. Nem sabíamos a falta que nos fazia dormir sem horas e relógios. Ao terceiro dia, o descanso já era tanto que acordei com vontade de ir correr enquanto o resto da casa ainda acordava. Fui. Consegui correr 5Km em estrada, pela primeira vez. E ainda lhes juntei uns 3 na caminhada no regresso. 

Acabei de ler 4 livros. Não romances, livros práticos. É verdade que são fáceis e rápidos de ler, mas não deixam de requerer tempo. 

Apanhamos amoras, peras e figos. O Duarte encontrou um sapo, um gafanhoto, e um escaravelho. Delirou com os tratores. Viu alguns desenhos, mas passou a maior parte do tempo longe deles. 

Ia mentalizada para durante quatro dias baixar a guarda e ceder quanto às regras da alimentação. Afinal os avós não conseguem ver o rapaz chorar e ele já sabe aproveitar esse luxo. Não foi preciso muito. Dando-lhe espaço para explorar não há nada que o deixe triste (só deixa os adultos estafados!). Andou muitas vezes molhado, meio nu, quase sempre sujo. Tomou banhos infinitos para logo a seguir se voltar a sujar. Esteve sempre tão feliz. Cedi algumas vezes quanto aos doces. Deixei que lhe oferecessem croissant, bolo e gelado. Numa das vezes abriu o croissant e retirou o queijo. Noutra negou bolo e gelado a favor da melancia. Gostou muito do gelado que era à base de iogurte e fruta (mesmo que carregadinho de outras porcarias extra). Acredito que estamos a fazer um bom trabalho. 

Se o chatearmos muito ele vai soltando palavras. Ouvimos um "não", um "sim", e estou capaz de jurar que ouvi um "Mickey" também. 

Voltamos. Ainda não tinha saudades de casa (e eu que adoro a nossa casa). Preguiça, Praia, Parque. Nunca deixo de me deliciar com o privilégio de ter a praia já ali. E com a sorte de no caminho sempre encontrar um amigo. Fiz doce de pera, gelado e tomate seco. 

Hoje volto ao trabalho. Foram 5 dias incrivelmente bons. Regresso bem dormida, com muitas de ideias e de coração cheio.  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Quase pronto

"Saltas para fora do avião quando eu contar até 5. Pronto?" diz-te o instrutor de paraquedismo, enquanto tu aguardas nervosamente pelo primeiro salto, inclinado num pequeno avião Cessna a cerca de 10 000 pés de altitude. Tu vibras com a adrenalina. E simultaneamente tremes de medo.
"Ok", dizes tu pouco convictamente. "Estou pronto."
O instrutor abre a porta do avião. O ar dispara pela porta aberta e o avião agita-se ligeiramente no ar. O medo torna-se pânico, como se cada célula do teu corpo - tudo o que a Evolução te ensinou - dissesse para não saltares por uma porta aberta de um avião.
"1,2,3..."
Quando o instrutor conta o 4 dispara a arma da partida. Tu pensas que tens mais um precioso segundo para mudar de ideias. Mas ele já te empurrou para fora do avião. E tu vais. Assim, não houve tempo para mudares de ideias no último instante.
Apesar de eu nunca ter feito paraquedismo, disseram-me que esta era uma técnica frequentemente utilizada com pessoas que experimentam pela primeira vez e, por vezes, têm ataques de pânico no último minuto.
Isto lembrou-me de uma conversa com um amigo que aconteceu num bonito dia de Verão há alguns anos em Berlim.
Eu perguntei-lhe se ele se sentia preparado para ter filhos quando o filho dele nasceu. Ele respondeu "Não estava preparado para ter filhos. Mas nós estávamos quase preparados para ter filhos. Quase preparados. Tu nunca te vais sentir completamente preparado."
Isto é verdade para tantas coisas, não é?
Não comeces uma empresa quando te sentires preparado para isso, porque tu nunca te sentirás preparado. Começa a tua própria empresa quando te sentires quase preparado.
Não cases com o teu namorado ou namorada quando te sentires preparado para isso, porque tu nunca terás absoluta certeza que tudo será feito. Casa-te quando te sentires preparado - quando tiveres quase certeza que é A pessoa certa.
Não aceites o trabalho para o qual te sentes totalmente preparado. Desafia-te. Estimula-te. Aceita o trabalho para o qual estás quase preparado.
"Quase preparado" é semelhante à "Regra do 80%" para persuasão. Ronald Reagan defendeu que não é preciso que alguém concorde 100% contigo para estar "contigo" - só precisas que a pessoa esteja do teu lado em 80% das questões. Isto é geralmente suficiente para conseguir o seu apoio.
A Regra do 80% aplicada a nós mesmos significaria que nós não precisamos de estar 100% certos de uma decisão para que esta seja a decisão certa.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Estão esgotados os recursos naturais do planeta para 2017

Dizem as estatisticas que hoje, 2 de agosto, estão esgotados os recursos naturais do planeta para 2017 (isto é, o limite do uso sustentável). Há quase 50 anos que gastamos mais planeta do que devemos e este dia "limite" tem chagado cada vez mais cedo. Se dependesse apenas de Portugal, este dia chegaria ainda mais cedo.

A proposta da Zero aposta numa economia circular, com aposta na reutilização e redução (ter menos mas de melhor qualidade), na redução do consumo de proteína animal e na promoção da mobilidade sustentável. Fiquei a pensar no que posso estar afazer mal e bem.

Lá por casa já usamos transportes públicos na grande maior parte do ano, andamos maioritariamente a pé ao fim de semana e fazemos alguma reciclagem. No entanto... isto é menos que uma migalha para o longo caminho que há a percorrer! Faltam 5 meses para o final do ano, quero introduzir 5 pequenas outras migalhas, uma por mês:
  • Agosto: sou um desastre com os banhos... Água muito quente, muito tempo no chuveiro. É um valente desperdício... O objetivo é encurtar os banhos e aproveitar o calor para me habituar a água menos quente. Além das vantagens para o ambiente, a minha pele e cabelo ainda agradecem.
  • Setembro: Vender, dar, deitar fora, arrumar, organizar. Este é um trabalho em progresso. Preciso de me livrar de tralha. Todas semanas arrumamos um bocadinho. Já há muitas coisas com destino definido, outras tanto vão a caminho.
  • Outubro: Trocar todas as lâmpadas por lampadas led. A maior parte deste trabalho está, na verdade, feito.
  • Novembro: Garantir uma refeição vegatariana por semana. Excluir a proteína animal uma refeição por semana é simples (e uma coisa que na verdade já fazemos algumas vezes).
  • Dezembro: Comprar e cozinhar com consciência. O mês do Natal é sempre um mês cheio de desperdicio (e eu adoro o Natal). Tenho que me esforçar para que todas as compras sejam feitas com mais consciencia. Qualidade sobre quantidade. Oferecer menos "coisas" e mais experiências.
Estes são, claramente, passinhos de pardal. Mas são realistas e um pequeno investimento para manutenção da nossa qualidade de vida e do planeta que deixamos de herança. Alguém se junta?

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Inquietudes

Às vezes só queria que o tempo passa-se mais devagar, que o dia tivesse mais horas, ou.. sei lá! 

Tenho conseguido organizar-me razoavelmente bem. Parece-me. Mas não deixo de sentir que ando sempre numa corrida contra o tempo. Levanto-me sempre atrasada, saio sempre mais tarde para o ginásio do que gostaria, o trabalho rende menos do que prevejo (ou estarei a fazer mal as estimativas de tempo?), vou embora mais tarde do que o suposto, estou menos tempo com o Duarte do que quero, consigo fazer menos em casa do que pensei durante o dia, adormeço sempre incrivelmente cansada.

Estou a precisar de parar e organizar. Não sei se são as espectativas que estão erradas, se as ideias que são excessivas, ou outra coisa qualquer.

As férias grandes parecem um objetivo demasiado distante.

O Duarte... o Duarte, o Duarte! Está cada dia mais engraçado mas, raio do rapaz, não fala. E, por muito que possa ser normal, que cada criança tenha o seu ritmo, que eu até tenha prometido a mim mesma dar-lhe sempre o tempo dele depois dos stresses desnecessários com a evolução inicial de peso, é impossível não ficar, um bocadinho que seja, preocupada. Ele expressa-se lindamente, há vários motivos que possam atrasar a fala mas... Nasceu com ele esta minha capacidade de estar preocupada com ele. Inevitável.

Comprei um montes de livros "práticos" que quero ler, tenho tantas ideias para por em prática, o dia voa, o fim de semana corre. Nada Hygge esta minha forma de estar! :)

E um botão para Reset, há?
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