Se este texto não fizer sentido... perdoem-me.


Agosto passou e com ele as nossas férias grandes. Tão boas que me deixam com um sorriso no rosto ao lembrar. Um dia prometo que faço um video.

Chegou Setembro, dos recomeços e dos contra-relógios. Com ele passaram já dois dias de festa muito felizes, o Duarte chegou ao alto dos seus 11 meses e está tão bonito, tão crescido. Cumpri 5 dos 7 objectivos a que me propus. Não está mau.

Estamos a meio de Setembro. Já? 

Lá por casa descobrimos uma nova formula que simplifca os dias e os sonos. O Duarte já não dorme antes do jantar e passou a adormecer mais fácilmente depois, adormece mais cedo e dorme melhor. Descobrimos Outlander, e fiquei com muita vontade de voltar à Escócia. Li Siddhartha e A Magia das Mães  .Parece-me que todas as mães deviam ler a Constança. Amanhã vou ver o concerto do Zambujo e do Miguel.

Ainda sinto uma espécie de anestesia pós-férias. Não encontramos uma rotina desde que regressamos e as aulas do pai lá de casa estão quase a começar. A casa continua do avesso. As gatas continuam malucas. A Internet continua cheia de textos bonitos que me apetece partilhar. A minha cabeça está cheia de ideias e os dias não crescem.
Há coisas que não mudam. E ainda bem.


Portugal é tão bonito!

O Porto sempre bonito. Imagem encontrada em alma-portuguesa.tumblr.com

E eu fico cheia de orgulho, ao entrar num dos melhores blogs que sigo, e leio isto sobre o nosso belo cantinho:

“PORTUGAL has history, design, beaches and vineyards — and it’s pretty dang affordable, too. We rented a car so we could spend time outside of the bigger cities. For example, Comporta is a beach town amid rice fields. Stay at this freaking adorable house (with a hammock, obviously), and eat the ultra-fresh grilled fish and fava bean salad at the beachside restaurant Sal. And Arraiolos is a teeny town in the up-and-coming wine region Alentejo — super pretty with all its cork and olive trees. We stayed at Villa Extramuros, a design-oriented B&B with a sick pool and sheep grazing on the property.”

Uma lua de mel em Portugal, passada entre Porto, Lisboa, Comporta e Arraiolos (mais detalhes aqui).

Para fazer este (meu) Agosto*

  • Criar Calendário Partilhado - Já não sou capaz de decorar tudo e estão demasiado frequentes as vezes que sobreponho planos. É hora de começar a pôr isto do papel (ou no ecrã)
  • Limpar o Frigorífico e a Arca - Um frigorífico cheio de marcas, coisas congeladas que já nem sei identificar... Humpf. Temos que nos livrar disto (e começar a identificar o que guardamos)
  • Planear uma festa para o Duarte - Que na verdade será só em Outubro. É preciso, no mínimo, definir pelo menos uma lista do que tenho para fazer e até quando.  
  • Acabar o album de fotografias 2015 - está quase, quase!
  • Arranjar as floreiras - Que estão cheias de plantas mortas... E encontrar forma de não me esquecer delas
  • Ler um livro (que não tenha nada a ver com bebés!) - Já não leio nada que não esteja relacionado com bebés há mais de um ano (oi?). É altura de voltar.
  • Organizar um armário - Tenho 3 bons candidatos. Basta um :)
Para o resto do tempo, ficam os habituais: beijinhos, pés descalços, jogos, pequeno-almoços grandes, amoras, filmes, livros, passeios e muitos, muitos sorrisos.

*ou para quem também quiser.

Sabemos que a sociedade está a mudar (e para melhor) quando...


...a Nacional faz este fabuloso anúncio e não há ninguém a sentir-se indignado. 

Sobre esta coisa de "escolher o futuro"

Há uns tempos, um dos meus explicandos disse-me que não precisava de estudar matemática porque queria ser trolha. Respondi-lhe que estava enganado, que podia ser trolha mas que, como em qualquer profissão, deveria estudar para ser o melhor possível e por isso precisaria sim, muito, da matemática. Ele, que estava só a desafiar-me, ficou surpreendido com a resposta.

Agora, que estamos na altura das candidaturas às universidades, por vários motivos, tenho andado a pesquisar profissões para ajudar quem tem este desafio pela frente. E se por um lado defendo que a escolha deve ser livre (e consciente) e que é nosso dever sermos o melhor possível no que escolhermos, por outro reconheço que escolher "aquilo que queremos ser quando fomos grandes", é uma decisão muito difícil.
Quando tive que escolher "o meu oficio", escolhi um curso que, na verdade, não fazia ideia do que seria e nem muito bem para que serviria. Gostava de matemática, gostava de tecnologias, o curso tinha uma boa taxa de empregabilidade e eu achava que seria feliz a aprender coisas relacionadas com computadores. Na verdade... achava que seria feliz com isso ou 300 outras coisas diferentes por isso... escolhi uma área que podia ser aplicada a muitas outras. Durante a faculdade, foram várias as vezes em que pensei se realmente iria levar aquilo a bom porto e se teria sido uma boa opção. Fui-me deixando ir e hoje, à luz dos anos, vejo que foi uma excelente opção. Correu bem, tornou-me uma pessoa melhor e mais confiante. Sou boa no que faço e sou feliz a fazê-lo.
Correu muito bem, esta caça cega mas teria muito para correr mal. Por outro lado, não sei bem qual a solução. Como se ajuda alguém numa escolha tão pessoal e tão determinante? Como podemos apresentar profissões, pôr todas as cartas na mesa sem deixar detalhes importantes por dizer? Será que aos 18 anos nos conhecemos assim tão bem para sermos já tão especialistas no nosso futuro? Na verdade, agora que me conheço melhor, percebo que haveria duas outras opções que talvez tivessem sido bons caminhos. Opções estas que não faziam sequer parte dos planos na altura. Não sei o que teria ajudado... Mais iniciativas do tipo "Universidade Jovem?". Mais feiras de profissões? Maior promoção de empregos em part-time? Uma espécie de ano zero global "de curso em curso"? 

Talvez não haja uma solução. Talvez o caminho seja relativizar, não ter pressa. Ou então perceber que independentemente na escolha, é sempre possível voltar atrás.  

Não há pressa.

Meu pequenino,

O tempo voou, como se esperia. Voa sempre que estamos felizes.
A vida flui a um bom ritmo. A caixa da roupa que já não serve está todos os dias mais cheia, estás cada vez mais curioso com o mundo e o nosso amor por ti cresce exponencialmente.
Como os 5 meses chegou a hora de passares a estar com as avós. Deixei de te ter todos os dias, todas as horas, aninhado em mim. Destruiste mais uma das minhas antigas certezas, a que achava que nunca seria feliz a ser mãe "não trabalhadora". Talvez não fosse bem assim. Voltar ao trabalho tem coisas boas mas parece-me cedo de mais. O coração fica pequenino. Vou perder tantas etapas, tantos sorrisos, tantas conquistas! Fico-me pelo desejo de um dia poder viver estas etapas com os meus netos.
Chegamos juntos a uma nova fase. Deixamos a amamentação exclusiva e começamos num mundo novo de sabores. Devagarinho, sem pressa. Comer tem que ser um prazer e não um martírio. Tens tempo. Temos tempo.
Os sonos de dia estão menos atribulados, as noite complicaram ligeiramente. Aos poucos vais aprendendo que nunca estarás sozinho, podes dormir em paz. Quando chegar a hora dormirás no teu quarto. Quando chegar a hora, não há pressa.
A redução do tempo para ti faz-me querer aproveitar-te ainda mais. Quase fico com remorsos por ter planos que não te incluam. Sei que ficas bem. Sei que ficas melhor do que connosco mas contemplar-te passou a ser um dos nossos passatempos preferidos. Dar-te beijinhos, ferrar-te os pés, ver-te perdido de riso, sentir o teu cheiro, ter-te aninhado em nós tem agora o valor de uma volta ao mundo.
Por agora, a Primavera está a chegar, os dias estão mais azuis e maiores e eu estou cheia de planos para nós.

Um despertador de 5kgs

Mas Mas O Duarte dorme (relativamente bem) durante a noite. Adormece pouco depois das 21h e só vai acordando para comer. Como e volta a adormecer rapidamente. 

Problema: no máximo às 7h30 avisa que tudo muito bem, mas é hora de brincar! E se até há bem pouco tempo a minha resposta era "oh, anda lá, só mais um bocadinho...", agora tenho desistido de lutar (até porque esta aproximação acabava sempre em choro para ele e frustração para mim). Ele acorda, brincamos, cantamos, dançamos e por volta das 9h ele já está novamente cheio de sono. Aí... eu decido se quero voltar a dormir com ele ou fazer outras coisas (enquanto isto ainda é uma opção).

Ontem, depois do mimo da "madrugada", deixei os rapazes em casa e fui caminhar. Foram pouco mais de 4km (e eu senti que andei uma maratona!) mas souberam-me pela vida. Acho que acabaram os sábados de manhã de preguiça para os próximos anos mas... Chegaram os dias melhor aproveitados!



Um caos em casa ou... 6 coisa para agradecer

Adoro a minha casa mas... estou longe de conseguir que ela esteja tão arrumadinha como gostaria (e o meu "gostaria" é bem mais relaxado do que, por exemplo, o "gostaria" da minha mãe). 
É difícil! Somos óptimos colecionadores de "coisas", temos horários alucinados, um bebé e duas gatas. Ando a tentar fazer algumas melhorias (a fundo!) mas.. no entretanto é necessário ir mantendo a sanidade e continuar a sentir-me bem por cá. Por isso... hoje fiz uma lista para "agradecer" a minha desarrumação:
  • Há sempre muita roupa por lavar - Ok, é porque temos muito para vestir, coisas giras, que nos ficam bem. 
  • A cama nunca está impecavelmente feita - Porque é partilhada. Porque tem um berço juntinho sempre ocupado. Porque a uso quando tento adormecer o Duarte. Porque é o local semi-proibido preferido das gatas. 
  • Brinquedos e "tralha" de bebé por todo o lado - Que bom! Para o Duarte ter coisas diferentes para fazer. É sinal que as nossas brincadeiras não se resumam ao tablet e à televisão. 
  • A cozinha não está sempre bem arrumadinha - Porque há dois cozinheiros amadores cá em casa. Porque há muitas vezes amigos a almoçar/lanchar/jantar por cá. 
  • Há livros a mais, papeis a mais, cadernos a mais - Livros não são a mais. A correspondência vem porque temos uma casa (reciclar!). Os cadernos/dossiers existem porque somos "eternos" estudantes e ainda bem!
  • Pêlo e um sofá semi destruido - É talvez dos pontos o que mais me chateia mas... é o preço que pagamos por doses de mimo extra em versão 4 patas.

A minha casa nunca está impecável. Mesmo com as pequenas melhorias que quero ir "implementando" nunca estará. Mas... a nossa casa tem muita luz, todos os dias se dança e há uma porta sempre aberta. Isto ninguém nos tira! Agora... vou ali arrumar uma gaveta. 

Uiii, agora é que vão ser elas

uii, agora é que vão ser elas, vais para o secundário e as coisas vão ser a sério.
uii, acabaste a faculdade, agora é que acabou a boa vida!
uii, uma casa? Vão ser só responsabilidade! Estão tramados.
uii, um bebé? Os primeios x meses/anos são impossíveis.

(Suspiro!)

Demorei um bocadinho a adaptar à mudança de escola mas adorei os meus anos de secundário. Acabou a faculdade e apesar das saudades que tenho de "viver para estudar" pude finalmente viajar, pagar as minhas contas, comprar a nossa casa. A casa? Não dando um passo maior que a perna, ela está aqui e não nos impede de viver.

Quatro meses depois do Duarte nascer, posso afirmar com toda certeza: há alturas complicadas, claro, mas tem sido tudo muito bom. Não deixamos de estar com os nossos amigos: ajustamos horários. Não deixamos de estar só os dois de vez em quando: tão bom ter avós por perto. A nossa casa está (ainda) mais caótica but who cares? A vida tornou-se sem dúvida mais divertida.

Venham os próximos desafios.

Sim, tenho o filho mais giro do mundo e não o quero mostrar a ninguém*

Quando estamos apaixonados é difícil não querer gritar ao mundo o quão feliz e encantados estamos. Irradiamos alegria, o mundo parece-nos um local perfeito e achamos que todos se sentirão radiantes com a nossa felicidade.

Eu estou apaixonada pelo meu filho, perdidamente. Acho-o tão bonito, tão fofinho, tão perfeito que é para mim muito difícil não querer encher a internet de fotografias deliciosas dele. Partilhar as expressões, as caretas, aquele olhar fabuloso.

Mas depois... há o outro lado. Primeiro, o pai é totalmente contra o que, por si só basta para ter a decisão tomada. Mas mesmo que não fosse este o caso eu tenho as minhas dúvidas... será que um dia ele vai gostar que eu tenha colocado online fotos com o rosto dele? Como posso avisá-lo quanto a alguns perigos da internet, impedi-lo de publicar informação privada enquanto ele não a souber gerir se eu própria tomei essa decisão por ele? E se me descuidar e partilhar informações que o comprometem? E mesmo que conheça toda a gente que tenho no Facebook, há lá tanta gente que não vejo há tantos anos... Confiarei nelas? Há demasiadas questões em aberto para que ache que faça sentido partilhar fotografias do Duarte "em canais abertos".

É também verdade que eu adoro acompanhar os filhos dos meus amigos, como crescem, como estão bonitos. É aqui que as redes sociais dão um jeitaço. Aquelas pequenas coisas que não fazem sentido partilhar a não ser que estejamos diariamente com alguém ficam disponíveis online e aproximam-nos um bocadinho. E eu, que não gosto de pensar no quão obscuras podem ser as pessoas que estão do outro lado de um ecrã, fico sempre com um ligeiro desconforto, a pensar se não estaremos a exagerar nesta decisão...

Ambiguidades à parte, por agora as fotografias do Duarte serão apenas partilhadas nos grupos e conversas privadas. Por aqui e pelo facebook quero só fotografias bonitas mas "iguais a todas as fotos de um bebé". Afinal... tenho um filho lindo de morrer (cof, cof), mas garanto-vos que ao vivo é que ele é mesmo espetacular.

(Um artigo interessante sobre o tema aqui, no The Guardian).

*eu pelo menos acho que sim!